EXERCÍCIOS COM INSTRUMENTOS MUSICAIS DE SOPRO, AJUDAM NO TRATAMENTO DE ASMA BRÔNQUICA.

Acadêmico: Ricardo Silvestre Penteado

Orientador: Prof. Bernardo Knapik

Em União da Vitória é muito comum

pessoas que sofrem de Asma Brônquica. Daí a tentativa de um tratamento diferente e muito agradável, que é praticar instrumentos musicais de sopro.

 

•  INTRODUÇÃO:

Em União da Vitória, existem muitos casos de doenças respiratórias, como asma brônquica, por exemplo.

Devido as sucessivas mudanças climáticas bruscas que ocorrem em nossa região, onde a umidade relativa do ar é muito elevada, a incidência de asma brônquica é ainda maior. Nos meses que compreendem o outono e inverno, ou seja, de março a setembro. O período de junho a julho, onde as temperaturas baixam e variam muito, os casos aumentam em média 40% (dados do Pronto Socorro de União da Vitória).

Os tratamentos, normalmente são feitos através de inalações e com o uso de medicamentos etc. Porém se fizéssemos um tratamento alternativo intercalado antes e depois das crises, a resistência aumentaria.

Esse tratamento poderia ser feito através da prática de um instrumento de sopro, para aumentar a capacidade respiratória e exercitar os brônquios.

•  Variável dependente:

Praticar regularmente instrumentos musicais de sopro.

1.2 Variável dependente:

Diminuição da incidência de crises de asma brônquica.

1.3 Variável interveniente:

Se os pacientes em tratamento não realizarem regularmente os exercícios;

Se caso os pacientes forem fumantes;

•  JUSTIFICATIVA:

Em próprio testemunho posso afirmar que:

“Sofro de asma brônquica desde que nasci, e os tratamentos que me foram atribuídos são alguns bem tradicionais como especificamente a natação, além, é óbvio, dos medicamentos. O pediatra que me tratava, recomendou praticar natação e exercitar os brônquios soprando em balões de festa de aniversário. Segundo ele isso iria diminuir a resistência da vias respiratórias e faria com que a capacidade respiratória também aumentasse. Por isso resolvi pesquisar sobre esse assunto.”

Um dos fatores que muito influenciam no comportamento dessa hipersensibidade alérgica, é o clima da região onde moramos. Uma das recomendações dos médicos a esse respeito é passar principalmente os meses de inverno, numa região litorânea onde o clima é mais ameno e o frio não é tão intenso, além de a poluição ser relativamente menor.

Por Ter associado o treino de soprar em balões, resolvi aos treze anos começar a aprender tocar saxofone, onde minhas crises depois de dois ou três anos diminuíram.

•  OBJETIVO:

O objetivo dessa pesquisa é provar com que o paciente que sofre de asma brônquica praticando qualquer instrumento de sopro(não especificamente o saxofone), irá diminuir a incidência de suas crises.

Porém quem se submete ao tratamento tem que Ter em mente que esse exercício trará resultados a longo prazo, e que exige uma disciplina um tanto quanto rigorosa.

Segundo o Dr. Mariano Bordon “0 início do tratamento geralmente seria interessante que fosse logo após uma crise, pois ainda sente-se um pouco de dificuldade ao respirar, e dar continuidade principalmente antes das crises e não somente entre elas.”

 

4.0 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA:

O que é Asma Brônquica?

“Asma Brônquica geralmente se deve a hipersensibilidade alérgica da pessoa a substâncias estranhas ar, sobretudo ao pólen das plantas. A reação alérgica produz edema localizado das paredes dos pequenos bronquíolos, secreção de muco espesso na sua luz e espasmo das paredes de músculo liso. Esses efeitos aumentam muito a resistência das vias respiratórias. Por isso, a pessoa asmática em geral pode inspirar apropriadamente, mas tem grande dificuldade em expirar. Isto produz dispnéia ou “falta de ar”.

A capacidade residual funcional e o volume residual pulmonar aumenta muito durante a crise asmática, devido a dificuldade de expirar o ar dos pulmões. Num longo período de tempo, a caixa torácica aumenta permanentemente, produzindo “tórax tonel” e a capacidade residual funcional e o volume residual também aumentam permanentemente. (Arthur C. Guyton p. 509)

Depois de cada crise, devido ao aumento do volume residual pulmonar, os pacientes ficam em média de três a quatro dias respirando sentindo algumas dores no peito, pois durante as crises faz-se um grande esforço para respirar. Durante as crises, as pessoas preferem ficar em pé ou sentadas, para facilitar um pouco o trabalho do

diafragma, já que para dormir só é possível colocando-se um travesseiro bem alto.

Esse desgaste também ocorre devido ao gasto de energia que é muito maior quando se tem uma crise, pois a energia gasta para se expirar é muito grande.

Arthur C. Guyton afirma que:

“Determinada quantidade de energia também é necessária para movimentar o ar ao longo das vias respiratórias. Na respiração calma normal essa quantidade de energia é pequena, mas quando as vias respiratórias se obstruem em conseqüência de asma, a resistência da via respiratória pode aumentar tanto que uma grande carga de energia extra deve ser despendida pelos músculos.(Arthur C. Guyton p.455).

 

MECÂNICA DA RESPIRAÇÃO:

Na respiração, existem dois processos envolvidos que surgem involuntariamente que são a inspiração e a expiração. Sendo assim, John B. West afirma que:

“O mais importante músculo da inspiração é o diafragma. O diafragma consiste de uma camada muscular em forma de cúpula, inserida nas últimas costelas, que quando se contrai, o conteúdo abdominal é forçado para baixo e para frente, aumentando o diâmetro vertical da cavidade torácica. Na respiração normal em repouso, o nível do diafragma se move cerca de 1 cm , mas em inspiração e expiração forçada, pode ocorrer uma excursão de até 10 cm .”(John B. West p.85).

 

A inspiração:

Músculos envolvidos:

Diafragma, intercostais externos, esternoclidomastóidos, elevadores da escápula mais denteado anterior, escalenos, músculos eretores da coluna.

Sendo assim, na inspiração temos o volume total de ar que podemos armazenar durante o processo da respiração.

A expiração :

- Músculos envolvidos:
- Abdominais (músculos principais da expiração);
- Intercostais internos;
- Denteado póstero-inferior;
- A expiração é o processo pelo qual eliminamos todo o ar armazenado pela inspiração, exceto o volume residual que permanece, pois não o conseguimos eliminar.

 

TÉCNICA DE RESPIRAÇÃO EMPREGADA NO SAXOFONE:

É quase óbvio dizer, que o ar é o motor principal do som do instrumento de sopro.

O tipo de respiração mais correta para se empregar no estudo de qualquer instrumento de sopro é a chamada tecnicamente de respiração longa ou abdominal. Consiste em trabalhar a respiração com o abdômen e não encher o peito de ar como muitos costumam fazer.

Esta técnica faz com que se consiga emitir uma coluna contínua de ar, que diminui a oscilação do som, sem falar do que a sonoridade aumenta quase que o dobro.

Segundo Roberto Sion, existem alguns exercícios que são primordiais para um instrumentista executar:

“Toda e qualquer respiração é diafragmática. Para se Ter um bom controle na respiração do instrumento e consequentemente um som bem definido, é necessário praticar um exercício bastante antigo que consiste em: deitar-se ao chão numa postura ereta, e deixar o corpo bem relaxado. Feito isto, inspire bem fundo e expire umas duas ou três vezes. Logo após, coloque um livro mais ou menos pesado sobre o abdômen, e faça com que ele levante algumas vezes. Esse exercício além de ser muito agradável e relaxante, é benéfico à saúde, pois exercita os brônquios e brônquíolos e faz com que o diafragma trabalhe mais solto. Esse exercício também ajuda no a diminuir tensões que causam dores nas costas e peito.(Roberto Sion, saxofonista).”

Outro exercício que todos instrumentistas devem fazer, é o chamado exercício das notas longas, que consiste em segurar soando a mesma nota oito ou dez tempos.

A energia gasta para se fazer fluir o som do saxofone é um pouco maior do que a respiração calma, normal, apenas 2 a 3 por cento da energia total despendida pelo organismo são necessários para ativar a ventilação pulmonar.

“Durante o exercício muito intenso a quantidade absoluta de energia necessária para a ventilação pulmonar pode aumentar em até 25 vezes.”(Dr. Mariano Bordon, doenças pulmonares).

Existe também a questão do volume residual que é a parte que os instrumentistas não conseguem eliminar, consiste no volume de ar que permanece no pulmão após a expiração mais vigorosa, que no caso do saxofone este volume varia em torno de 1.200 ml no adulto jovem.

Como a Asma Brônquica é um edema localizado das paredes dos pequenos bronquíolos e aumentam a resistência das vias respiratórias, alguns dos exercícios mencionados anteriormente, podem em Termos ajudar na prevenção de crises.

 

5.0 HIPÓTESE.

Pessoas que tocam instrumento de sopro, desenvolvem a capacidade pulmonar, e consequentemente diminuem a incidência de problemas respiratórios (Asma Brônquica) devido ao exercício de soprar.

 

6.0 METODOLOGIA:

6.1 Da Pesquisa Bibliográfica :

Com a colaboração de alguns membros da equipe médica do Hospital São Bráz, foi possível conseguir algum material bibliográfico que levantasse alguns subsídios coerentes ao problema levantado.

6.1 Da pesquisa:

A pesquisa foi realizada em União da Vitória – PR, onde participaram músicos da Banda Marcial Santos Anjos de Porto União – SC.

6.2 Da Pesquisa Experimental:

Foram entrevistados músicos na faixa etária dos 13 aos 19 anos, com um tempo de estudo prático variando entre 3 e 4 anos, não fumantes e que alegam não terem crises com muita freqüência.

A primeira pergunta a ser feita foi:

•  Através atividade musical com instrumento de sopro sentiram melhoras no modo de respirar?

•  Se a incidência das crises no tempo em que estão estudando diminuíram ou não?

•  Foram entrevistados dez músicos que disseram sofrer de Asma Brônquica;

 

7.0 ANÁLISE DOS RESULTADOS OBTIDOS:

Desses dez músicos entrevistados, somente dois disseram que sentiram alguma melhora em não Ter crises tão freqüentes: 20% (vinte por cento);

Três deles concluíram que adquiriram uma capacidade maior de armazenamento de ar e uma boa desenvoltura no desempenho de esportes que exigem correr por exemplo:

30% (trinta por cento);

O restante, ou seja, os outros cinco, alegam não sentirem diferença na incidência das crises, porém, sentem que após as crises fazem os exercícios e se recuperam das dores abdominais que surgem devido ao esforço de respirar: 50% (cinqüenta por cento).

 

8.0 CONCLUSÃO:

Checando os parâmetros dos dados apresentados acima, deu para se concluir que faltam alguns subsídios mais técnicos para se afirmar a hipótese levantada.

Na verdade, a Asma Brônquica, tem fases em que se manifesta mais freqüentemente devido ao clima e também aos cuidados tomados pelo asmático. Pois os cuidados em precaver-se não abusando dos gelados são muito importantes, visto que as crises ocorrem geralmente após um resfriado.

Outra questão que em conversa com especialistas em Asma Brônquica foi abordada, é que a mesma possui uma certa relevância no que se diz respeito a idade dos pacientes asmáticos. Visto que a asma manifesta-se numa faixa etária da infância a adolescência, e esta é a fase em que se tem maior sucesso nos tratamentos.

Já nos pacientes com mais idade, o tratamento é mais complicado devido ao alto desenvolvimento que adquire após alguns anos, pois este distúrbio passará a ser crônico e só poderá ser tratado e não curado realmente.

Mesmo não concluindo que a hipótese possa ser verdadeira, recomendo o estudo do instrumento de sopro pois além de ser muito agradável, possui uma série de características benéficas principalmente no que diz respeito a respiração.

 

9.0 REFENCIAL BIBLIOGRÁFICO:

GUYTON, Arthur C. . Tratado de Fisiologia Médica. 5. ed. Rio de Janeiro:

Interamericana, 1977.

WEST, John B. . Fisiologia Respiratória Moderna. 3. Ed. São Paulo: Manole, 1986.

SION, Roberto. Projeto Música. São Paulo: MPO Vídeo, (1992?).

SION, Roberto. Falando em Sax. São Paulo : MPO Vídeo, (1990?).

V O L T A